Segunda-feira, 30 de Abril de 2007

Cálculo online do novo ISV (simulador)

Para fazer face à concorrência ;) e dentro dos meus parcos recursos, vou colocar online a folha de cálculo que já disponibilizava mas sem necessidade de fazer o download.

Ou seja, através unicamente do seu browser é possível fazer todos os cálculos, sem abrir o Excel ou fazer o download da folha de cálculo para o seu computador.

Para veículos novos basta seguir este link. Se quiser uma versão mais pequena (no ecrã), mais simples, clara e de mais fácil navegação, visite antes este link.
Para veículos comerciais novos basta seguir este link.
Para veículos importados usados basta seguir este link.

Experimentei e não encontrei problemas de maior. Caso tenha dificuldades agradeço o seu feedback.

Quinta-feira, 26 de Abril de 2007

ISV e IUC - discussão na especialidade

O Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais, João Amaral Tomaz, falou à Comissão de Orçamento e Finanças na passada terça feira, dia 24 de Abril e, expôs principalmente dois pontos:

• O sítio da Direcção Geral de Alfândegas irá contar com um simulador do novo ISV a partir de Maio;
• A diferença (a menos ou a mais?) entre o IA e o ISV poderá ser absorvida pelo "operador" (o importador/fabricante/marca).


Poderão ver estas notícias nos seguintes meios de comunicação:
Público, Diário Digital e SIC.

A peça do Telejornal da RTP de 24 Abril:



Não ouvi a intervenção completa do Secretário de Estado mas, no sítio do jornal Público, a seguinte passagem: "Qualquer operador do sector poderá introduzir a cilindrada, o nível de emissão de CO2 [dióxido de carbono] e o combustível para saber qual é o nível de tributação que paga actualmente e que passará a pagar no futuro ", leva-me a crer que o simulador poderá não estar disponível ao público em geral mas apenas a profissionais do sector registados como operadores.

Relembro, é claro, que os simuladores que disponibilizo estão 100% de acordo com o que está estipulado na proposta de lei.
O simulador estará disponível em Maio, o que quer dizer que os valores e a forma de cálculo presentes na proposta de lei já não deverão ser alterados.

Quanto a esta intervenção, uma observação: ouvir o Secretário de Estado dizer "se o operador absorver os aumentos, como no ano passado" é interessante. Até agora, confesso, estava mais preocupado que os operadores absorvessem a diminuição do imposto, mas se no ano passado também absorveram o aumento poderá isso querer dizer que os que baixam vão compensar os que aumentam? Isto é, modelo X aumenta 500€, modelo Y diminui 250€, vão aumentar o X 250€ e não baixar o Y? Seria bastante injusto, de um ponto de vista ecológico e desvirtuaria completamente o principal propósito da nova tributação. Espero que isto não se concretize: há que reflectir no consumidor e da melhor forma que ele entende (em dinheiro) os modelos mais e menos poluentes. Ou seja, poderemos ver flutuações de preço sem qualquer sentido lógico para nós, como consumidores, apenas justificadas pelo interesse do "operador" em manter o "bolo" das receitas inalterado. Veremos.

Entretanto, é interessante saber que algumas marcas ja antecipam o novo ISV e afirmam que já se pode comprar hoje ao preço de Julho. Identifiquei três até ao momento: a Suzuki com o Swift, a Opel com o Astra e a Mazda com o ZunZum. Estou a brincar, parece-me que com o 2, o 3 e o MX-5. Os restantes modelos pelo que está no sítio da Mazda estão sujeitos a negociação num stand.

Estas propostas vão de encontro ao que propus neste artigo. E como também ali podem ler, as marcas mais activas são aquelas que mais podem ganhar com isto: não são best-sellers (Mazda e Suzuki) ou vão perder uma posição concorrencial confortável (Opel Astra - relembro que o motor 1.3 CDTI, o mais vendido da gama, vai ser um dos que menos beneficia com a nova tributação).

Fico satisfeito de ver a atitude destas marcas. Já sabe: se vai comprar um Mazda, um Suzuki Swift ou um Opel Astra, já o pode fazer agora, junte o melhor de dois mundos: o IUC com o valor de agora e o ISV com o valor de Julho.
Se conhece mais alguma marca que esteja a fazer este tipo de promoções, comente este artigo e partilhe as informações que dispõe.

Quarta-feira, 18 de Abril de 2007

Audição às principais associações do mercado

Durante o dia de ontem e de hoje foram ouvidas pela Comissão de Orçamento e Finanças da Assembleia da República as principais associações do sector automóvel: ARAN, ANECRA, ACAP e ACP.

Infelizmente não tenho acesso a quaisquer dados que não o texto informativo da Agência Lusa divulgado por alguns orgãos de comunicação social.

Os links para as notícias:
Diário Digital, Diário Económico, Jornal de Negócios e Sol.

Não há nenhuma novidade relevante que não tenha já sido objecto de discussão aqui. A questão da AutoEuropa já foi analisada aqui e aqui.

Num assunto que nada e tudo tem a ver, e que curiosamente é publicado no mesmo dia, os portugueses são os que menos trocam de carro na Europa.

Curiosa é também a cadência de notícias na comunicação social. Apesar de não haver qualquer novidade relevante desde 8 de Março, de tempos a tempos temos "notícias" sobre o assunto.

Quinta-feira, 12 de Abril de 2007

Resumo da matéria dada

Para quem visita este blog pela primeira vez poderá ser complicado analisar e ler todos os artigos (que já vão em 74 no dia em que escrevo o 75.º).

Vou tentar facilitar a vida a todas as pessoas que querem saber mais sobre o novo imposto automóvel, mas não têm tempo ou disponibilidade para consultar toda a informação reunida até ao momento.

1. O novo imposto automóvel chama-se Imposto Sobre Veículos e o novo Imposto Municipal Sobre Veículos ("selo do carro") chama-se Imposto Único de Circulação. O primeiro é pago quando compra um automóvel novo - está sempre incluído no preço de venda - ou quando legaliza a título particular um automóvel importado (usado ou novo). O segundo imposto é pago anualmente até cancelar a matrícula e é sempre cobrado ao proprietário do veículo.

2. Se já tem carro, não se preocupe porque vai continuar a pagar quase o mesmo que pagava até agora. A forma e a altura do ano para pagar, no entanto, vão mudar. Mais informações: tabela com as taxas do IUC (o novo "selo do carro") e os novos procedimentos para pagamento.

3. Se vai comprar carro novo, saiba que a partir de Julho muitos deles poderão subir ou baixar de preço. Generalizando (há diversas excepções), os mais beneficiados, que poderão baixar de preço, serão os menos poluentes (carros de pequena dimensão), enquanto que os mais poluentes deverão aumentar de preço (carros de grande dimensão). Estas baixas ou subidas de preço deverão acentuar-se em Janeiro de 2008 consoante o veículo seja mais ou menos poluente. A questão da poluição baseia-se nas emissões de CO2 dos automóveis, normalmente anunciadas pelos fabricantes. O imposto anual (IUC) vai aumentar em todos os casos, sem excepção. Mais informações: base de dados com as emissões de CO2 de todos os veículos à venda em Portugal, filtro de partículas, o benefício fiscal e os automóveis que beneficiam do mesmo, o que deve comprar já, saiba exactamente quanto é que o automóvel que vai comprar pode subir ou descer de preço, tome precauções, o novo imposto anual.

4. Se quer importar um automóvel usado, deverá ter em atenção que a partir de Julho, as taxas anuais do novo Imposto Único de Circulação (que substitui o IMV - "selo do carro") serão exactamente iguais às de um veículo novo "nacional". Não pagará o IUC consoante a idade, mas sim consoante a cilindrada e as emissões de CO2. Os descontos consoante a idade vão continuar. Mais informações: pagamento do IUC igual aos dos automóveis novos, mesmas regras dos novos, folha Excel para calcular quanto vai pagar de impostos do seu importado usado.

5. Os automóveis híbridos e exclusivamente a Gás Petróleo Liquefeito (GPL) ou Gás Natural (GN), vão continuar a beneficiar do desconto até agora dado, embora noutros moldes. Mais informações: confirmação da continuação do benefício fiscal, folha de cálculo para saber quanto vai pagar de impostos em veículos novos.

6. Alguns monovolumes poderão subir de preço, uma vez que as regras que regem a forma como o desconto era dado mudaram. Mais informações: os monovolumes e o desconto.

7. Veículos até agora isentos como as motos ou as autocaravanas, vão pagar ISV. Mais informações: conclusões após leitura da proposta de lei, proposta de lei.

8. Os automóveis comerciais derivados de turismo, conhecidos como carros de dois lugares, vão aumentar de preço. Mais informações: comerciais e o novo ISV.

9. Algumas pick-ups de mais de 3 lugares e 4x4 vão aumentar de preço. Mais informações: peso bruto 3.500kg quer dizer aumentos.

Faço todos os esforços para que a informação aqui veiculada seja verdadeira e fidedigna. Baseio-me nas fontes mais credíveis e evito assumir como verdadeiras quaisquer informações que não sejam disponibilizadas por entidades oficiais. A proposta de lei que regula a tributação automóvel, aprovando o ISV e o IUC já foi aprovada na Assembleia da República, mas está sujeita a alterações até publicação em Diário da República (o que ainda não aconteceu).

Por tudo isto, não posso ser responsabilizado por erros, omissões ou interpretações incorrectas, por favor tenha isso em consideração.

Muito obrigado pela sua visita. Agradeço sempre qualquer feedback, bom ou mau. ;)

Segunda-feira, 9 de Abril de 2007

Automóveis mais e menos poluentes, mais caros e mais baratos

Se está a ponderar comprar um carro novo e se já fez as contas no simulador que disponibilizo para download, por esta altura já sabe qual vai ser a diferença de valor nos impostos cobrados ao seu novo automóvel em Julho.

Mas não deve deixar de prestar atenção a um facto muito importante: Julho não será, talvez, a data mais importante a considerar.

Vamos falar, mais uma vez, do factor CO2 (dióxido de carbono - um dos gases responsáveis pelo efeito de estufa).

Neste momento, as taxas do imposto automóvel baseadas nas emissões de CO2 representam 10% do total de imposto cobrado pelo estado.
Em Julho, esta percentagem sobe para 30%.
Em Janeiro de 2008, as emissões de CO2 deverão ser responsáveis por 60% do total da colecta.

O que é que isto quer dizer?
Em Julho de 2007, carros mais poluentes ficam mais caros, carros menos poluentes ficam mais baratos.

Mas a questão fulcral é que em Janeiro de 2008, carros mais poluentes ficam ainda mais caros, carros menos poluentes ficam ainda mais baratos.

Se a importância do CO2 na tributação sobe, a importância da cilindrada desce.

E o que quer isto dizer?
Carros de alta cilindrada vão ficar gradualmente mais baratos, desde que as emissões de CO2 não anulem a descida da importância da cilindrada.

Modelos que antes eram fortemente penalizados pela cilindrada, mas que não eram por aí além poluentes poderão ter baixas bastante significativas de preço.
Um excelente exemplo é o Honda Civic 2.2 i-CDTi. Com emissões de 140g/km, 140 CV e 2204cc, paga bastante mais IA que por exemplo o Volkswagen Golf 2.0 TDI de 1968cc, 140 CV e 149g/km de CO2. A diferença entre o que o Golf paga hoje de IA para o Civic é 1.885€, valor que baixa para 1.447€ em Julho. Em Janeiro a diferença será ainda menor. Apontaria um valor entre 500 e 1000€. Mas o mais estranho é que o Golf custa 33.012€ e o Civic 33.150€ nas suas versões base. Qual será a diferença de preço em Janeiro?

Descendo um pouco mais: Opel Astra 1.3 CDTI, Peugeot 307 1.6 HDI, Renault Megane 1.5 dCi e Toyota Corolla 1.4 D-4D. Quase todos com 90 CV, com excepção do Renault com 85 CV.
De IA pagam respectivamente: 2.553€, 5.150€, 4.228€ e 3.497€.
Apesar de todos terem a mesma potência, de quase todos emitirem a mesma quantidade de CO2 (entre 120 e 130g/km), o Astra, pela sua baixa cilindrada, sai claramente beneficiado - paga menos de metade dos impostos que o Peugeot paga.
Ou seja, o factor diferenciador, a cilindrada, não traz qualquer vantagem ao consumidor. Mas ajuda bastante o fabricante.
Em Janeiro, esta diferença será muito menor e por essa altura poderemos escolher melhor, com base na potência e não com base na cilindrada. O que é bom porque possibilita mais escolhas, o que traz mais concorrência e, normalmente, concorrência significa mais benefícios para o consumidor.

Relembro que alguns motores não são comercializados em Portugal por causa da cilindrada. Isso poderá deixar de acontecer, poderemos começar a ver mais motores disponíveis no nosso mercado.

Por outro lado, há que ter algum cuidado com o tipo de veículo que pretende comprar. Se hoje um monovolume ou um compacto pagavam quase o mesmo de impostos, isso vai deixar de acontecer. Porque mais peso = mais consumos = mais emissões de CO2.
Exemplo: Citroën C4 Picasso e Peugeot 207 1.6 HDI 110 CV. O 207 faz 129g/km enquanto o C4 Picasso faz 155g/km. Em Julho, a diferença nos impostos, apesar de utilizarem o mesmíssimo motor, chegará aos 992€.

A conclusão a reter é:
• Compre imediatamente veículos grandes, pesados e que não sejam muito eficazes a nível de consumo, isto é, com emissões de CO2 altas. Evite a todo o custo comprar este tipo de automóveis em Janeiro de 2008.
• Se puder aguardar, qualquer veículo que baixe significativamente de preço em Julho, baixará ainda mais em Janeiro de 2008. É complicado aguardar quase um ano para comprar carro mas, nos modelos com menores emissões de CO2 vai compensar quase de certeza absoluta (e bastante).
• Tamanho e/ou a potência ficarão mais caros do que nunca. Os carros pequenos e económicos serão os mais beneficiados com esta reforma.

Domingo, 1 de Abril de 2007

Algumas notícias nos meios de comunicação, os importados usados

Nos últimos dias têm surgido mais algumas notícias nos meios de comunicação sobre este tema da reforma do IA e introdução do ISV e do IUC.
Nada de novo, mas mesmo assim, uma forma de corroborar o que aqui é escrito através de outras fontes de informação.

Diz o Correio da Manhã:

A reforma da tributação automóvel, que entra em vigor a 1 de Julho com os novos Imposto Sobre Veículos (ISV) e Imposto Único de Circulação (IUC), vai agravar a carga fiscal a prazo. O aviso é feito pela Associação Nacional das Empresas do Comércio e da Reparação Automóvel (ANECRA), que pede aos consumidores que aproveitem até 30 de Junho para racionalizar a decisão de compra de automóvel segundo a opção fiscal mais favorável.

Pelo que vejo da notícia, a mesma baseia-se no comunicado que a ANECRA emitiu no dia 16 de Março, entretanto já aqui discutida. Surge à margem de um encontro que a ANECRA promoveu no Algarve no dia 31.

No entanto, há uma afirmação que tem vindo a passar em muitos meios de comunicação sem que seja complementada por alguns factos.

Ainda no Correio da Manhã:

A ANECRA não concorda com a manutenção do benefício fiscal, que pode chegar aos 80%, na compra de carros importados com mais de dez anos. Este estímulo levou à importação de 37 mil veículos nessas condições em 2006, equivalente a 75% do total de veículos importados. “É uma incongruência com as metas ambientais”, conclui Neves da Silva.

Em Observatório do Algarve, Sol, Record, Diário Digital, através da Agência Lusa:

Falando à Agência Lusa à margem de um encontro de empresários do sector no Algarve que hoje decorreu em Albufeira, o secretário-geral da ANECRA, Neves da Silva, classificou como "uma aberração" que os veículos importados com 10 ou mais anos continuem a ter 80 por cento de desconto no imposto automóvel.

"É uma contradição que se mantenha o benefício para esses veículos ao mesmo tempo que se protegem os consumidores que optam por veículos menos poluentes", enfatizou, sublinhando que os carros em segunda mão "quase de certeza que não têm catalizador e seguramente não têm filtros de partículas".

O mesmo responsável recordou que as regras actuais, que se prolongarão depois da entrada em vigor da reforma sobre fiscalidade automóvel, permitiram que, em 2006, 75 por cento dos carros importados tivessem mais de 10 anos, num total de 37 mil veículos.


Gosto especialmente do título dado a muitas destas notícias: "Portugal vai continuar a ser o cemitério da Europa". Relembro que não somos só nós, portugueses, que importamos automóveis usados do El Dorado europeu, a Alemanha, muitos vizinhos nossos o fazem, como os espanhóis. E se calhar com bem mais expressão do que nós.

Basta por exemplo, visitar o sítio de um stand alemão de carros usados e ler o seguinte parágrafo:

Dispomos de um serviço especial para os nossos vizinhos europeus, que podem consultar o equipamento de todos os automóveis à venda, nas seguintes línguas: alemão, búlgaro, dinamarquês, inglês, estónio, finlandês, francês, grego, italiano, croáta, letão, lituano, neerlandês, maltês, norueguês, poláco, português, romeno, russo, sueco, eslováco, esloveno, espanhol, checo, turco, húngaro (...).

Veja-se que até dinamarqueses, finlandeses, holandeses, noruegueses e suecos, cinco dos vinte países mais ricos do mundo, vão buscar automóveis usados à Alemanha.


Aliás, não possuo bases estatísticas que o confirmem, mas já lá vão alguns anos desde que via automóveis manifestamente em mau estado a serem importados. O que mais vejo recentemente são veículos com menos de 5 anos. Os números apresentados pela ANECRA de que que 75% de veículos importados usados em 2006 têm mais de 10 anos parece-me inverosímil. Isso quererá dizer que 75% dos importados usados em 2006 serão anteriores a 1996.

Pegando nesta estatística da ACAP, onde cinco marcas alemãs, Audi, BMW, Mercedes, Smart e Volkswagen, representam 83,3% das importações de usados de Janeiro a Julho de 2006, e dizer que, hipoteticamente, 75% destes carros têm mais de 10 anos, parece-me estranho. Gostaria de conhecer a forma como a ANECRA chega a esses números. Entenda-se: acho estranho, o que não quer dizer que não seja verdade. A minha realidade (Lisboa) é bastante diferente daquela presente pelo país fora.

Vale o que vale, mas olhando para dois sítios de venda de usados na internet, encontro 145 Audi à venda com data de fabrico anterior a 1996 (inclusivé - os tais 75%), e 1821 Audi entre 1997 e 2007. Neste excerto, os veículos, claro que incluindo nacionais e importados usados, posteriores a 1997 representam mais de 90%.
Olhando para os Mercedes, a marca mais importada como usado, e fazendo o mesmo exercício, temos 2211 modelos à venda com data de fabrico entre 1997 e 2007 e 364 até 1996. Mesmo salvaguardando as lógicas diferenças de que são automóveis à venda e não importados e que incluem usados registados novos em Portugal, são números muito diferentes daqueles apresentados pela ANECRA.

Segundo a mesma estatística da ACAP, foram importados pelo mercado paralelo de Janeiro a Julho de 2006 (aquele que não inclui os representantes oficiais) 5977 veículos novos e 25762 veículos usados. Ou seja, das importações paralelas, 18,8% são automóveis novos e 81,2% são automóveis usados. Será possível que destes 81,2% de importados usados apenas 25% tenham menos de 10 anos?

Adiante. O Secretário de Estados dos Assuntos Fiscais já por diversas vezes afirmou que este desconto aplicado aos usados importados é uma imposição da Comissão Europeia. A Roménia muito recentemente fez o que, se calhar, o governo português gostaria de fazer: aplicar a mesma tributação/taxa aos usados importados que aplica aos veículos novos. A União Europeia pensa, segundo alguns meios de comunicação, em colocar uma acção judicial contra a Roménia por causa desta descriminação.

Ou seja, não é vontade do governo aplicar um desconto aos importados usados. Tanto não é que repare-se no desconto que o governo aplica a importados usados que não provenham da União Europeia: 10% independentemente da idade.

O governo já aplica o IVA sobre o IA/ISV, e ao fazê-lo já está a "esticar a corda", segundo o que é o entendimento da Comissão Europeia de como deverá ser feita a taxação. Se em acréscimo a isso não quisesse aplicar o referido desconto penso que ficaria automaticamente em risco de sanções.

Mas é perfeitamente natural a atitude da ANECRA. Quanto a mim, opinião pessoal, um pouco dramática mas, mesmo assim, de esperar.

Todavia, existem mais associações do sector automovel, a ACAP e a ARAN por exemplo. Destas, ainda não li nada, que não pequenas afirmações, acerca do novo imposto automóvel.

Mas lendo a revista de Março da ARAN há coisas que saltam à vista:

A questão da importação de veículos usados é desvalorizada pelo director de comunicação do importador de uma das marcas mais visadas, a BMW, que vê nesse facto uma oportunidade de negócio para o após-venda. “No que respeita ao nosso capital de imagem de fiabilidade, desde que vendidos e importados por operadores de confiança, esses BMW são BMW como os por nós comercializados”, refere Sérgio Leitão Gomes, que não deixa de alertar que “os riscos de fiabilidade para o consumidor final são maiores, em comparação com uma aquisição “ao abrigo do programa específico de usados da BMW Portugal.

O Diário Económico tem também um artigo intitulado "O que muda em Julho".

Não concordo com algumas das conclusões, como por exemplo: "Se anda à procura de um automóvel mais pequeno ou ecológico, guarde para depois de Julho."

O Civic Hybrid, por exemplo, apenas vai ficar mais barato 683€ e o imposto anual dobra de 50€ para 100€. Quanto a mim, apesar de apenas ficar mais caro a partir do 13.º ano, este é um dos casos que é bastante subjectivo quanto à melhor altura para compra.

Será de esperar que os automóveis que paguem os actuais valores de IMV valorizem ligeiramente no mercado de usados face aos que pagarão os novos valores, daí que neste caso depende bastante se pretende ficar com o carro muitos ou poucos anos.
Da mesma forma, continua-se a dizer (baseado em declarações da ANECRA) que "existem cálculos efectuados que indiciam que esses aumentos, no decurso de 10 anos, possam chegar a oito mil euros em certos modelos de viaturas".

Eu acrescento: existem modelos que em 1 de Julho de 2007 ficam já 8.000€ mais caros. O Audi Q7 3.0 TDI é um dos exemplos, em Julho, a carga fiscal só do ISV, aumenta 8.172€.