Quinta-feira, 22 de Março de 2007

Monovolumes e o ISV

Com o novo imposto sobre veículos, existe uma alteração relativamente importante na forma de taxar um segmento de mercado que tem alguma expressão de vendas em Portugal: o dos monovolumes familiares (de grandes dimensões).

Com o Imposto Automóvel, todos os automóveis (ligeiros mistos de transporte alternado ou simultâneo de passageiros ou carga) que tivessem um peso bruto superior a 2300kg e não tivessem tracção às quatro rodas, beneficiavam de uma tabela própria (VI), com valores mais baixos que o dos restantes ligeiros de passageiros.

Nesta categoria inserem-se os monovolumes fabricados em Portugal pela Volkswagen, como a Sharan e a Alhambra.

Com o ISV, o limite mínimo de 2300kg passa para 2500kg, e o desconto é similar ao dos automóveis híbridos ou exclusivamente a GPL/GN: 40%.

Isto faz com que modelos como a Citroën C4 Picasso, que tem entre 2305kg e 2350kg de peso bruto, a Kia Carens, com 2300kg de peso bruto ou a Mazda 5 com 2305kg deixem de beneficiar do desconto de 40%, como acontecia até agora. Não percebo muito bem este aumento de 2300kg para 2500kg, quais as suas razões, mas não deixam de ser más notícias para quem pretende comprar um veículo deste tipo. Não sei se os fabricantes quererão homologar novamente estes automóveis com um peso bruto superior, mas fica desde já o aviso que alguns MPV/monovolumes "mais pequenos" poderão subir significativamente de preço.

No entanto, há casos caricatos: a Ford S-Max 2.5 (gasolina) tem um peso bruto de 2420kg, enquanto a versão diesel 1.8 ou 2.0 tem um peso bruto de 2505kg. Ou seja, a versão gasolina, como está homologada neste momento, não usufrui do desconto, ao contrário da versão a gasóleo que, por 5kg, consegue o desconto de 40%.

Dá-se também o caso flagrante de modelos maiores, mais gastadores e poluidores, ao abrigo deste benefício, custarem quase o mesmo que os seus congéneres mais pequenos. A mesma Ford S-Max mas na motorização 2.0 TDCI custa, com as novas regras do Imposto Sobre Veículos, 35.539,73€, enquanto a Ford C-Max, bastante mais pequena, 33.373,68€. Agora, falta dizer que a S-Max paga 11.972,16€ de impostos e a C-Max paga 13.803,81€.

Por outro lado, modelos como o Hyundai Santa Fé, que não é mais que um SUV, conseguem usufruir, na sua versão 4x2, deste mesmo desconto.

Curioso é também, por exemplo, o caso do Mercedes R. Um automóvel de luxo, com preços a partir de 78.000€ e com um peso bruto de 2865kg. Ou seja, um automóvel que emite 253g/km de CO2 tem um desconto de 40% sobre o ISV.

É certo que este desconto foi feito a pensar em beneficiar a nossa indústria, mas na prática, o que se vê não faz muito sentido, com SUV, monovolumes não fabricados em Portugal e veículos de luxo a usufruirem do mesmo desconto. Vemos nas nossas estradas e nas nossas cidades (talvez mais grave), um número maior de veículos grandes e pesados, logo mais ineficazes, tanto a nível de poluição como de consumos, só porque pelo seu valor o proprietário não comprava algo tão bem equipado ou tão grande.

Conclusão: discriminam-se os veículos mais acessíveis em detrimento dos mais caros.

Alguns destes modelos podem representar para quem os compra excelentes negócios, pelo que devemos aproveitar, mas não deixa de ser irónico que os únicos veículos que usufruem do mesmo benefício fiscal são ao mesmo tempo os que menos poluem/consomem e o oposto destes...

Por isso, se pretende comprar um pequeno monovolume, faça-o antes de Julho se o mesmo tiver um peso bruto superior a 2300kg e inferior a 2500kg.

2 comentários:

Paulo Matos disse...

Antes de mais gostaria de o felicitar mais uma vez pela sua iniciativa nesta matéria.

Por forma a completar este tópico dos monovolumes conhece alguma tabela onde se possam encontrar os modelos que estão abrangidos pelo desconto de 40%.

Por exemplo já vi dados que indicavam que a Volkswagen Sharan 1.9 TDI Trendline tem um peso vazia de 1706 kg, como saber o peso bruto?

FD disse...

Não conheço nenhuma tabela com os modelos abrangidos pelo desconto de monovolumes. Só mesmo consultando o fabricante.