Quinta-feira, 29 de Março de 2007

Cuidado: os valores aqui apresentados não são líquidos

É necessário que tome consciência que só tem 3 meses para decidir o que fazer em relação ao seu automóvel novo ou importado usado. Há modelos novos que têm um prazo de entrega alargado, pelo que deverá ter em atenção esse facto se pretende comprar antes de Julho.

Tenho tentado, dentro do que é possível, adiantar os valores do novo imposto automóvel que entrará em vigor no próximo mês de Julho.

Em todos os casos, os valores apresentados são exactos. Ou seja, o valor do imposto cobrado pelo governo será exactamente aquele que indico.

No entanto, deverá ter em atenção, no seu processo de decisão de compra, que o preço final ao consumidor, o PVP, poderá não acompanhar a diminuição do imposto.

Ou seja, o imposto poderá baixar 500€, mas em Julho essa diferença poderá ser apenas de 200€ no preço final do automóvel. Porquê?

Entramos aqui num domínio diferente: a formulação do preço.

Ao contrário do que muitos, naturalmente, possam pensar, o preço de um bem ou serviço é determinado por um conjunto de factores bastante mais alargado do que a fórmula "preço de custo + margem de lucro = preço de venda".
Na determinação de um preço de venda, são tidos em conta factores como a concorrência, a conjuntura económica, o poder de compra, a carga fiscal, o público alvo ou o tempo de vida esperado para o produto/serviço, entre muitos outros factores consoante o tipo de serviço ou produto.
Mas uma das principais formas de formular um preço é perguntar a quem o vai comprar quanto é que pagaria pelo mesmo.

Imaginemos que eu inventei um novo tipo de pão que faz bem ao cérebro, ao coração e ao trânsito intestinal. Para determinar o preço de venda faria o seguinte cálculo: preço de custo (ingredientes + mão de obra + custos de fabrico) + margem de lucro = preço final.

Não. Reúno uma série de pessoas que penso que compraria o meu pão (focus group), apresento-lhes o produto, as suas vantagens e pergunto: "quanto custa?"
E as pessoas dizem-me. Se esse valor fôr mais baixo que o meu preço de custo, apesar de ser uma excelente ideia, quase de certeza que não vou fabricar/comercializar o pão.
Se fôr acima desse valor, e com uma boa margem de manobra face ao preço de custo, sim, vou fabricar o pão e vou vendê-lo.

O que quero dizer com tudo isto?

As pessoas estão, neste momento, dispostas a pagar o preço pedido por determinados veículos. Como tal, porque razão os fabricantes deverão baixar o preço desses veiculos se o cliente alvo já o compraria ao preço que está? Seria perder dinheiro. No mundo dos negócios, seria estúpido. Mas, por outro lado, há um conhecimento generalizado de que os automóveis deverão baixar de preço com a nova legislação. Mas, como é que se vai saber quanto é que os automóveis vão baixar? Esta pergunta, feita aqui, não faz sentido, mas lá fora, faz todo o sentido.

Assim, a ideia será encontrar um meio termo: baixar ligeiramente o PVP, não tanto quanto deveria para reflectir exactamente a baixa do imposto, mas de forma a que o cliente saiba que baixou o preço.

Será natural e até expectável que algumas marcas em alguns modelos baixem o preço de venda, mas não reflectindo exactamente a baixa do imposto.
A "percentagem" de baixa deverá ter em conta alguns factores, como a "desejabilidade" do modelo ou o ambiente concorrencial.


A ideia que quero transmitir é a seguinte:

• boas vendas ou preço em consonância com a concorrência, o preço final do modelo poderá baixar mas não exactamente de acordo com a baixa dos impostos.

• vendas médias ou preço em consonância com a concorrência, o preço do modelo poderá baixar mais do que o exemplo anterior.

• vendas fracas ou preço acima da concorrência, o preço do modelo deverá, em princípio, baixar de acordo com a baixa dos impostos.


Claro que isto não é nem pretende ser uma verdade absoluta. Sou eu a especular sobre o que deverá acontecer.

É uma prática legítima, a actualização do preço base, mas que deverá ser salvaguardada por quem vai comprar automóvel.

E como o salvaguardar?


Se já fez as contas e sabe que vai comprar depois de Julho tem duas hipóteses:

compre o automóvel já, negoceie o preço base (muito importante, negoceie sempre o preço base sem impostos) e estabeleça uma data qualquer de entrega a partir de Julho. Faça um contrato escrito e adiante já um sinal significativo (se o concessionário não cumprir o contrato, o sinal poderá ser-lhe devolvido em dobro). Nesse contrato, deverá ficar claro que compra o veículo pelo preço base sem impostos, e compromete-se a pagar os impostos de acordo com a legislação em vigor na data da entrega. Ou seja, o objectivo é comprar ao preço base actual, antecipando qualquer subida do mesmo, e pagar os impostos de acordo com o novo ISV.

• se não pode comprar o automóvel agora, compre antes de Julho (agora mesmo é o ideal) uma revista que tenha os preços. Faça os cálculos com a folha de cálculo que disponibilizo para descobrir o preço base actual. Quando fôr comprar o carro, compare o preço base de hoje com o preço base de então e negoceie o preço com fundamento na diferença entre ambos. Apresente os factos (uma impressão da folha de cálculo por exemplo) e tente baixar o preço base para que fique em consonância com o actual. É importante que isto seja feito nos meses imediatamente a seguir a Julho, porque de outra forma o concessionário pode advogar outras causas para o aumento do preço base. Poderá até ver algumas objecções a esta prática. Se assim acontecer, saia e tente noutro concessionário.

Lembre-se também que se a marca subir o preço base sem nenhuma justificação que não a da mudança do imposto, isso também quer dizer que tem uma maior margem de manobra na negociação do preço. Ou seja, está a ganhar mais, hipoteticamente, poderá fazer um desconto mais significativo.

É importante referir que deverá ter a certeza que o preço base aumenta. Se não aumentar, tanto melhor para si.

Lembre-se também que não está a fazer nada de mal, não se iniba de negociar: está apenas a zelar pelos seus interesses, assim como a marca e o concessionário zela pelos seus próprios interesses.

Claro que em Julho estarei por aqui para dizer quais foram as marcas que melhor acompanharam esta mudança da tributação fiscal, mas nessa altura, se o pior acontecer já pouco poderá fazer.

9 comentários:

Anónimo disse...

Antes de mais, parabéns pelo blog muitíssimo informativo em relação aos novos ISV e IUC.

Não consegui, contudo, encontrar informação acerca na situação de emigrantes que mudam a residência definitivamente para Portugal.
Anteriormente, desde que fossem cumpridas determinadas condições, havia isenção de IA.

Como fica esta situação depois de Julho???

Muito obrigado.

Anónimo disse...

boa noite,
gostaria de falar consigo para tirar umas dúvidas será que me pode dar um contacto mais directo?

obrigado

Anónimo disse...

boa noite novamente,
deixo o meu endereço de e-mail caso queira de facto mandar-me o seu contacto.

obrigado

Anónimo disse...

isto está a correr mal...
cuca787@hotmail.com

FD disse...

Sobre os emigrantes:

A proposta de lei é demasiado extensa quanto às condições para atribuir isenção de ISV a um emigrante de nacionalidade portuguesa que regresse a Portugal, pelo que, para não o induzir em erro, sugiro que faça o download da proposta de lei neste endereço e consulte pelo menos os artigos 59.º, 60.º e 61.º, para se inteirar exactamente de todas as condicionantes.

FD disse...

Pode-me contactar em mobilista@gmail.com.

Mas prefiria que colocasse aqui a sua dúvida para que pudesse também ajudar outras pessoas na mesma situação.

Anónimo disse...

Muitos parabéns pelo BLOG, que além de elucidativo tem análises excelentes e actuais.
Gostaria de expor o seguinte, relativamente a quem tem de mudar de residência para Portugal. As três grandes alterações que detecto são: (1) Quem não importar o carro antes de Julho irá pagar o IUC, que será significativamente mais alto que o actual imposto de circulação. (2) o período de propriedade do carro antes de o importar passa de 6 para 12 meses - sem se perceber porquê e sem haver um período de transição que proteja quem comprou há menos de 1 ano. (3) Passa a ser exigido o pagamento do imposto se o carro for vendido após o período de intransmissibilidade e até 5 anos, também sem se perceber o motivo.
Em resumo, a quem estiver na situação de residente no estrangeiro será de aconselhar a importação antes de Julho, pois a partir daí julgo haver um agravamento muito significativo.

FD disse...

Agradeço com muito apreço o seu feedback e o seu esclarecimento. :)

agent disse...

A Associação Nacional das Empresas do Comércio e da Reparação Automóvel (ANECRA) convenientemente veio já alertar os consumidores para que aproveitem até 30 de Junho para comprar carro porque depois sairá mais caro. Como já se disse por aqui, sai mais caro, mas é preciso fazer bem as contas e cada caso é um caso, porque se há carros que ficam automaticamente mais caros no primeiro ano também há outros que ficarão passado mais de 10 anos. O tempo que a ANECRA perde a provocar o “pânico”, e se está assim tão preocupada com os bolsos dos consumidores, deveria despende-lo a assegurar que não haveria uma subida súbita dos preços antes de impostos, ou seja, certificar que uma baixa de impostos significaria efectivamente uma baixa do preço final do veículo.