Hoje é dia 28 de Junho e a nova legislação que reformula a tributação automóvel ainda não foi publicada em Diário da República.
Falta 1 dia útil e 1 dia "inútil" para o prazo. Eu bem me queria parecer que o espaço temporal se estava a mostrar apertado.
Entretanto, na página das declarações electrónicas da DGAIEC "já" se encontra o precocemente anunciado simulador.
Tenho alguma curiosidade sobre como as coisas vão correr. Qual o nível de desinformação (alguma até agora), qual a reacção das vendas e qual a reacção das marcas. Esta mudança influencia a vida de muitas pessoas e muitos organismos. Penso que não será exagerado afirmar que vão existir problemas, confusões e desentendimentos.
E uma das mais recentes confusões tem a ver com o caso dos veículos que não são nossos mas que ainda aparecem na página das finanças em nosso nome, carros que já foram vendidos, foram para a sucata, são salvados. Pelo que pude averiguar, as hipóteses, num caso destes, são duas: ou manda apreender o automóvel para regularizar a situação ou cancela a matrícula.
Este ano as coisas começam-se a complicar, mas para o ano será pior, bastante pior. Penso que seria útil da parte de quem governa desenvolver mecanismos que permitam a fácil resolução desta situação. Porque senão vamos assistir a listas de apreensão de veículos com milhares de entradas e matrículas canceladas que ainda circulam na estrada.
Também será curioso conhecer a estatística de vendas deste mês de Junho. Pela falta de "notícias" parece-me que correu bem.
As coisas para o lado do estado também têm estado a correr bem em termos de cobrança de imposto nestes primeiros meses do ano.
No sítio complementar a este, impostosobreveiculos.info, o leitor José Silva afirmou ter apresentado uma queixa à Comissão Europeia por descriminação do estado português face à penalização que veículos importados de outros países da União Europeia sofrem face aos "nacionais", no que diz respeito aos valores cobrados a propósito do IUC.
Como já aqui foi referido, qualquer automóvel matriculado a partir de Julho de 2007, pagará o mesmo IUC, seja ele fabricado em 2000 ou em 2007. Na prática isto quer dizer que os importados usados vão pagar IUC pelas mesmas tabelas que os "nacionais novos".
Num caso recente que envolve a Roménia e a Comissão Europeia, vêm-se algumas semelhanças com esta situação. A Roménia quer cobrar um imposto de matrícula igual para veículos novos e importados usados de outros países da UE. No entender da Comissão Europeia esta tributação descrimina negativamente os veículos de outros estados europeus. Por enquanto o assunto está em análise, mas fontes da UE confirmaram que a não existir entendimento entre ambas as partes, o caso poderia seguir para tribunal.
Em relação ao IUC o princípio parece-me ser o mesmo: há uma clara descriminação de veículos oriundos de outros países da UE. Da mesma forma que o estado foi obrigado a implementar o desconto sobre o IA, poderá ser obrigado a fazê-lo quanto ao IUC?
É uma questão interessante, aliás, mais fértil que a do IVA sobre o IA - esta é nova, a do IVA sobre o IA é velha e a UE/CE já a conhece há muito tempo, a fazer alguma coisa já tinha feito.
Se quiser, também, apresentar queixa à Comissão Europeia, poderá fazê-lo através deste link.
No meio de tudo isto o governo aprovou em Conselho de Ministros mais um imposto: a Contribuição de Serviço Rodoviário. Não se preocupe que não vai pagar mais do que já paga agora. A questão é que o dinheiro circulava de uma forma: impostos -> orçamento de estado -> estradas; e a partir de agora vai circular de outra forma: impostos -> estradas.
Este imposto é descontado do Imposto Sobre Produtos Petrolíferos, aquele que taxa o combustivel que todos usamos nos nossos carros.
Tudo para que seja mais simples a manutenção das nossas estradas. É um modelo interessante, paga mais quem utiliza mais as estradas, a manutenção das mesmas relaciona-se directamente com a utilização e não há artificialismos ou desvios nas verbas.
Na minha opinião este é o caminho a seguir: cada organismo deverá ter um orçamento directamente proporcional à necessidade e utilização real do mesmo.
Por exemplo: todos os impostos cobrados sobre o tabaco ou sobre o álcool deveriam ir directamente para o Serviço Nacional de Saúde.
Claro que há áreas em que tal é de difícil concretização, como a educação. Mas mesmo na educação, as verbas poderiam estar indexadas directamente a alguns índices como o da natalidade.
O governo afirma que vai perder receita durante os primeiros anos com a implementação da nova tributação automóvel. Mas, será interessante conhecer o resultado no final do ano.
Para o registo, cobrou-se de imposto automóvel em:
1999 - 1.204.197.000€
2000 - 1.204.980.000€
2001 - 1.193.199.000€
2002 - 1.150.391.000€
2003 - 985.098.000€
2004 - 1.121.222.000€
2005 - 1.173.200.000€
2006 - 1.165.400.000€
Relembro que um dos objectivos do governo com esta reforma é estabilizar a entrada de dinheiro. Como se pode ver acima, 2003 foi um ano particularmente difícil, com uma quebra na receita de 165 milhões de euros. Ora, este dinheiro que faltou fez com que houvesse um défice nas contas face ao orçamentado. Na prática, o governo teve que pedir esse valor "emprestado". Pagou juros, deixou de pagar a fornecedores (protelou) ou cobrou mais num outro qualquer imposto.
Com o novo IUC, e seguindo as recomendações da UE/CE, o objectivo é assegurar um fluxo contínuo e previsível de receita.
Claro que já vieram notícias do risco de fuga aos impostos, num país em que há milhares de veículos sem seguro. Mas é preciso não esquecer que a fiscalização dos milhares de veículos sem seguro é da responsabilidade das autoridades.
No caso dos impostos, quem cobra e quem fiscaliza pertence à mesma equipa... ;)
Fosse essa responsabilidade das seguradoras, tenho a certeza que os números seriam muito diferentes. E se esses milhares de carros sem seguro fizessem mossa ao orçamento do estado as coisas também seriam muito diferentes.
Nota positiva para o processo de pagamento do IMV: pedi, paguei e recebi o dístico em 15 dias. Ao contrário do ano passado, este ano as coisas estão a correr bem. É assim que se quer a relação do estado com o cidadão: simples e rápida.
No dia 2 de Julho vai haver uma conferência intitulada "A reforma do regimes de tributação automóvel português: novos desafios".
Podem saber mais informações aqui. Fosse o acesso gratuito e até aparecia por lá, mas 50€, para mim, mero curioso, é um custo não comportável.
Entretanto, aqui ao lado em Espanha, começa-se agora a falar em
indexar a cobrança do imposto de matrícula às emissões de CO2. A ideia será isentar os automóveis mais ecológicos e taxar os mais poluentes com um valor entre 14,5% e 17% sobre o preço. Mas como é que o vão fazer? Antes ou depois do IVA? Pelos vistos, os espanhóis já pagam um imposto de matrícula indexado à cilindrada sobre o preço. Mas, segundo o Secretário de Estado dos Assuntos Fiscais português isso não é possível por causa da incompatibilidade com o IVA. Mas os espanhóis não cobram IVA sobre os carros?
Na Alemanha também já se pensa no mesmo, em princípio o objectivo será entrar em vigor em 2008. As boas notícias por aqueles lados é que pretendem ter em consideração outros poluentes que não só o CO2. É importante lembrar que a Alemanha é o maior poluidor europeu.
Na Holanda o objectivo é penalizar veículos que emitam mais do que um valor pré-estabelecido de g/km de CO2. Fala-se em 80~90€ por cada grama além de 200g/km para os diesel e 240g/km para os automóveis movidos a gasolina.
Espero proximamente aprofundar a forma como o automóvel é taxado nos diferentes países europeus.
Vamos a ver se amanhã volto a escrever a dar notícia da publicação do decreto lei no Diário da República.